Encontro de Cães-Guia no RS emociona e reforça a importância da autonomia para pessoas com deficiência visual
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A manhã desta segunda-feira (25) ficou marcada por emoção, troca de experiências e celebração da inclusão. A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul sediou o 1º Encontro de Cães-Guia do RS, promovido pela Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e Pessoas com Altas Habilidades no RS (Faders Acessibilidade e Inclusão), instituição vinculada a Secreatria de Desenvolvimento Social do RS.
O evento reuniu usuários de cães-guia, instrutores, autoridades e representantes de instituições parceiras para destacar a relevância desse recurso de acessibilidade que garante autonomia, segurança e liberdade de locomoção para pessoas com deficiência visual.
Reencontros e histórias de vida
Um dos momentos marcantes foi o reencontro entre Kaiser e Kobe, dois cães da mesma ninhada treinados no Instituto Federal Catarinense (IFC). Após crescerem juntos, foram destinados a diferentes usuários no Rio Grande do Sul e não se viam desde a entrega, em 2024. Ao lado de seus tutores, Sandro Martinês e Olga Souza, os cães mostraram como o vínculo criado no treinamento segue vivo e afetuoso.
Para Olga, que está com seu terceiro cão-guia, a convivência é sinônimo de liberdade:
“O cão-guia me devolve a autonomia de ir e vir, com segurança. Quando está com o arreio, sabe da sua função e é extremamente focado. Em casa, sem ele, é brincalhão como qualquer outro animal de estimação”, relatou.
Demanda crescente e novos caminhos
Atualmente, o Instituto Federal Catarinense já entregou 17 cães-guia para o Rio Grande do Sul, sendo 12 em Porto Alegre, 3 em Caxias do Sul, 1 em Bagé e 1 no Chuí. Apesar disso, existe uma fila de espera com nove pessoas aguardando o recurso, segundo Leonardo Goulart ( professor, treinador e instrutor de mobilidade com cães-guia no Instituto Federal Catarinense – Campus Camboriú, e autor do "Manual do Usuário de Cão-Guia" 2022).
O Brasil possui cerca de 7 milhões de pessoas com deficiência visual, mas conta com apenas 220 cães-guia em atividade. O processo de formação exige tempo e dedicação: são necessários cerca de dois anos de treinamento até que o animal esteja apto a atuar.
Compromisso da Faders
Durante o encontro, o presidente da Faders, Marquinho Lang, reforçou o compromisso da instituição com a ampliação da inclusão no Estado:
“Estamos trabalhando para qualificar equipes, com o apoio do Corpo de BombeirosMilitar do RS, que possam auxiliar no processo de adaptação entre usuários e cães-guia. Nosso objetivo é que o Rio Grande do Sul avance cada vez mais nesse tema”.
Avanços na inclusão
Mais do que um encontro de animais e seus tutores, o evento simbolizou a força da acessibilidade e da inclusão. Para além da troca de experiências entre usuários, instrutores e famílias, o momento reforçou que o cão-guia não é apenas um companheiro de caminhada, mas um instrumento de cidadania e igualdade de oportunidades.
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